Jan 17 2012
Filhos caninos e o bebê – capítulo 1
Capítulo 1 pois o capítulo 2 vou escrever só depois que Sarah nascer.
O assunto cachorros x bebês tem me incomodado, perturbado e preocupado MUITO.
Então se prepara porque o post vai ser longo.
A minha geração (mulheres entre 30-40 anos) teve que adiar a maternidade em nome da carreira e da independência (maldita feminista que inventou isso, saco!). E como foi que compensamos isso? Tendo cachorros. É uma verdadeira febre. É por essa razão que você vê por aí diversos serviços para cachorros como creches, carrinhos, day care, roupinhas, tratamentos cosméticos, adestramento, caminha, etc. O cão, que sempre foi aquele animal que dormia na casinha dele no quintal e protegia a casa, virou o filho de muitas mulheres, assim como eu, que por diversas razões não podiam ser mãe ainda (ou nunca).
E aí que ser mãe de cachorro é uma delícia, porque você tem todas as delícias da maternidade, exerce seus sentidos de mãe ao máximo, mas não tem o stress e cansaço de um bebê. Mas infelizmente ser mãe de cachorro e mãe de bebê são coisas – e responsabilidades – diferentes. E a grande maioria dessas mulheres, quando tem o bebê, descobre isso da pior maneira possível: esquecendo que elas podem ser as duas coisas.
E aí uma legião de animais é abandonada na rua (sim, acontece MUITO), outros “doados” para avós, largados em quintais, ou até continuam dentro da casa mas não tem mais nenhum pingo de atenção ou dedicação dos donos, só estão alí porque esses donos acham que estão sendo íntegros mantendo-os alí ao invés de doá-los para alguém.
Vide este post aqui. Acontece na MAIORIA das famílias. O bebê nasce, e a mãe do bebê, sem orientação ou preparo algum, esquece que também é mãe de cachorro. É uma realidade triste, que acontece quase todo santo dia, e que é a grande causa das minhas preocupações.
Antes de ter um cachorro, seja você solteira, casada, com ou sem filhos, você tem que ter ciência que dá trabalho, e muito. A diferença de um cachorro para um filho é que ele não fala e nem te acorda de madrugada quando pequeno (se bem que meu Mike foi um verdadeiro bebê, rs.). Precisa ter ciência também que este animal viverá por no mínimo 10 anos. Que ele precisará de passeios diários. Que ele demandará atenção e recursos financeiros. Tudo isso é importantíssimo antes de você decidir por ter um animal.
Pois se você é solteira hoje e seu estilo de vida condiz com ter um animal, mas você quer ter um bebê e acha que não vai poder dar atenção, não tenha o cachorro. Lide com as suas frustações e solidão como ADULTA que você é e não é porque você tem só 25 anos que agora você pode ter um animal e depois você vê no que vai dar, pois quando você casar e tiver seu filho, ele ainda vai estar lá e provavelmente demandando muito mais atenção por estar velhinho. Acho importante isso ser dito.
Então, voltando ao post que linkei acima, não estou condenando a moça. Fiquei super chateada pelos animais, mas achei que ela foi de uma honestidade tremenda se abrindo assim para o mundo, e que a culpa na verdade, foi da falta de preparo. Veja por exemplo esse post aqui, se não é lindo de se ler?
O meu ponto aqui é que se você optou por ter um animal de estimação, saiba honrá-lo e bem tratá-lo em qualquer situação da sua vida. É claro que as circunstâncias sempre mudam e que nem sempre você vai tratá-lo igual, mas o mínimo de carinho e atenção tem que ser oferecido. Se você pretende ter um bebê comece a adaptar seu animal de estimação muito antes de engravidar, pois não é correto nem saudável você mudar tudo somente quando o bebê nasce.
Por exemplo, se você não quer que quando o bebê nasça o cachorro entre no quarto do bebê, durma na sua cama, tenha acesso à casa, etc, comece desde já a não permitir isso. Deixar um cachorro dormir na sua cama pois você é uma carente de amor e quando seu bebê nascer proibir o bichinho de subir é um absurdo, um tamanho ato egoísta. E quando nascer seu segundo filho, você vai deixá-lo de lado também?
“Ah, mas você diz isso porque sua filha ainda não nasceu, você vai ver que é diferente, você não consegue dar mais amor como antes, deixa de ser apegada aos bichos”.
E eu fico extremamente irritada e assustada quando ouço isso.
Irritada pois acho que a pessoa foi mega preguiçosa em tentar se preparar e lidar com essa nova rotina. Você não precisa beijar seu cachorro toda hora e ficar agarrada com ele o tempo todo quando seu bebê nasce, óbvio que as atenções serão divididas, assim como com seu marido e outros filhos. O que eu digo é que você dê de FORMAS DIFERENTES, amor e atenção ao seu bichinho. Se você passava a noite depois do trabalho agarradinha, brincando com seu animal e o levava para passear e agora não pode mais, que tal enquanto amamenta deixar ele entrar no quarto, fazer carinho nele com o seu pé, dar aquele ossinho que ele tanto ama nesse momento, levá-lo para passear quando sair de carrinho com o bebê, colocá-lo num day care onde ele possa se divertir e gastar energias? São tantas opções que me recuso a não chamar de PREGUIÇOSA uma pessoa que simplesmente esquece o cachorro jogado num canto, para sempre.
Assustada eu fico pois tenho um medo grande desse bando de ser humano que está criando essa nova geração. Porque eu realmente não sou mãe ainda e não sei o trabalho que dá ter um filho, que eu vou querer dar atenção só para ele, e blá blá blá whiskas sachê……. mas eu sei de uma coisa, ASSUMI UMA RESPONSABILIDADE NA MINHA VIDA (ou melhor, três, sendo a última já grávida): SER RESPONSÁVEL POR OUTRA VIDA.
Tenho consciência que vou dar menos atenção aos meus pequenos, e sofro horrores com isso desde já. Porque eles nunca me pediram para que eu os mimasse, que eu não saísse de casa a noite NUNCA por não deixá-los sozinhos, que eu brincasse horrores com eles. Eles só queriam uma casa, comida e um pouco de amor. Se eu os acostumei com MUITO MAIS amor, seria justo de repente tirar isso deles? Eu acho que não.
Então como sei que não vou poder chegar do trabalho e levá-los para passear, brincar de correr pela casa, etc., eu estou me PREPARANDO para me tornar MÃE DE BEBÊ E MÃE DE CACHORRO. Estou acostumando eles, com ajuda de uma adestadora e especialista em comportamento canino que super recomendo e virou uma grande amiga (né Yara?), desde já a ter uma nova rotina. Aos poucos estamos introduzindo mudanças para que eles sintam o mínimo possível quando a Sarah chegar.
Vou citar alguns exemplos aqui para serem utilizados (ou adaptados) de acordo com a rotina de cada futura mamãe:
- grades para cachorros
Meus cachorros tem livre acesso pela casa. Isso significa que eles sobem no sofá também, inclusive se tiver uma visita sentada nele. Como tem gente que não gosta (e adoraria que essas pessoas não fossem na minha casa), quando o bebê nascer vou ter que aguentar esse tipo de visita indesejada, e não vai dar certo com um bebê no cólo eu gritando com a cachorrada para eles pararem de pular e tentar lamber a visita que sentou no sofá. Então introduzimos as grades. Começamos aos poucos isolá-los em alguns ambientes da casa, sempre fazendo com que esse ambiente fosse muito gostoso para eles. Enchíamos por exemplo, se esse ambiente fosse a cozinha, de petiscos e brinquedos, escondendo em vários cantos. E eles ansiosos para entrar do outro lado do portão. Era uma festa só.
Sempre que recebemos visitas agora, eles ficam presos na grade da cozinha para a sala, de onde conseguem ver as visitas. Enquanto a visita entra e começa aquela latição, tentamos tirar o foco deles da visita dando vários petiscos e incentivando positivamente a cada desvio do olhar das visitas para nós com um “muito bem”. Com o tempo, eles passaram a ficar menos eufóricos com visitas chegando e também já ficam bem do outro lado da grade em alguns momentos (quando estamos jantando) super bonzinhos, sem chorar (Mike ainda dá um trabalhinho, rs).
- treino do “FICA”
Em momentos que eu estiver sozinha e precisar que eles parem de pular, ou que a fralda cheia de cocô caia no chão e eles não vão até lá lamber (eca!), eu preciso controlá-los. Então começamos a treinar o “fica”. Eles ficam imóveis (com exceção de Bibi que ainda é bebê e ultra mega blaster agitada), enquanto eu não chamo Mike e Becca eles não se mexem, lindo de se ver, rs. Isso também vai ser bem útil.
- tirei da nossa cama
Eu acho que não tem nada a ver você ter um bebê e o cachorro não poder mais dormir na cama, mas o fato é que são 3 cachorros e as duas são porte médio o que estava atrapalhando meu sono tanto cachorro na cama. Tiramos os 3, Mike dorme embaixo da nossa cama ou na caminha e Becca dorme na caminha ou no sofá lá na sala. Bibi sem vergonha aprendeu a subir na cama pelo meio e dormir de comprido, e todo dia de manhã quando acordo tá ela lá na nossa cama, rs. Mas agora com a gravidez avançando estou fazendo 500 xixis por noite, então toda vez que levanto, pego ela e coloco no chão.
- treino com bonecas
Compramos uma boneca que chora e parece um bebê. Quando estou com ela no cólo eles não podem se aproximar muito, não podem pular em mim. Isso é um treino importante.
Agora tem outras coisas que não adiantam, vou ter que aprender a lidar na prática. Toda noite qualquer barulho um dos 3 acorda latindo que nem louco e sai latindo pela casa até chegar na porta, e aí os outros 2 começam a latir também. A latição só pára quando eu dou uma mega grito: “PODE PARAR”, aí volta todo mundo rapidinho para dormir. Dizem que o bebê já se acostuma com os latidos de cachorro desde o útero, e espero que Sarah se acostume pois seja de madrugada, ou quando eles estão brincando, é sempre uma gritaria infernal. E cabe a mim não descontar neles, não impedir que eles exerçam seus instintos caninos, e aprender a lidar com isso, a aceitar isso. Denovo, foi uma ESCOLHA MINHA, então é meu dever e responsabilidade saber lidar com essa e outras situações que vão aparecer no caminho.
Espero muito vir aqui depois do parto contar uma experiência tranquila e linda para vocês. Pode ser que ela não ocorra, mas pelo menos estou fazendo a minha parte e tentando adaptar a casa e a família à nova rotina que será iniciada. Não serei omissa nos cuidados com aqueles que durante algum tempo me supriram as carências afetivas que eu tinha. Isso seria EGOÍSMO.
Então, pense MUITO antes de adotar um animal de estimação. Eu disse ADOTAR, porque comprar nem pensar ein?
E para finalizar, fotos dos meus amores!!
Bibi e Mike
Becca (doida para comer meu cupcake!)
UPDATE: conheçam esse site que fala exatamente sobre esse assunto Mães com Cães



















