Gostaria de começar este artigo me apresentando. Meu nome é Cynthia, tenho 35 anos e uma filha de quase 2 anos. Eu sempre tive muito medo de que meus erros como mãe pudessem impactar o psicológico dos meus filhos, e por essa razão mergulhei em diversas literaturas, conversas com muitos profissionais e outros pais, e assim tentar evitar cometer erros e garantir que minha filha cresça se sentindo amada e apoiada.

 

Por ter tanto conhecimento para dividir, resolvi criar um instagram (@dailybabytips) para ajudar outros pais a acertar mais em suas funções, a responder de maneira adequada às necessidades de seus filhos. E através do IG recebi o convite para dividir com vocês através de uma coluna neste blog, todo o conhecimento que acho interessante. Gostaria de ressaltar que não sou profissional, pedagoga, psicóloga nem nada, sou apenas uma MÃE buscando ajudar outras. Portanto, as informações contidas aqui são opiniões minhas baseadas na minha experiência e no meu conhecimento adquirido.

 

Neste post quero apresentar para vocês o estilo de maternidade com o qual eu mais me identifiquei e o que mais tem funcionado aqui em casa: “Ser pais através da conexão ao invés da coerção”. Esse estilo faz parte de anos de estudo da autora do livro “Parenting Conexion: parenting though conexion instead of coersion”, Pam Leo. Este livro é um achado da minha vida, e mudou a forma como eu lido com minha filha e a forma como ela se comporta.

 

A mensagem do livro e deste estilo de “ser pais” é que atualmente os pais não se conectam mais com seus filhos, seja pelo pouco tempo que passam juntos, pelo cansaço da vida das metrópoles, falta de preparo, etc. E esta falta de conexão está dificultando ainda mais a criação das crianças. Os pais estão sempre fazendo o melhor que podem considerando as informações, recursos e apoio que possuem, mas nunca é tarde para criar uma conexão ainda mais forte com seu filho. Os pais conhecem muito bem seus filhos e têm o conhecimento inato de como lidar com eles. Entretanto, devemos nos conectar profundamente com nossos filhos para entender o que está se passando com eles. Não podemos ter medo de errar, ou de ir contra protocolos ou ser julgado. Esse medo pode nos levar a decisões equivocadas. Livros que determinam padrões como deixar chorar, cantinho do castigo, etc., podem funcionar para algumas crianças, mas para outras não. Seu filho pode não estar dormindo bem pois ele se sente abandonado, e deixá-lo chorando como diz tal livro, não vai resolver esse problema. Ele pode até parar de chorar depois de alguns dias, mas o que esta ausência irá impactar no seu psicológico é imensurável.

 

As crianças precisam se sentir valiosas, ouvidas e honradas. O objetivo da verdadeira disciplina parental não é controlar o comportamento da criança machucando-a ou magoando-a quando seu comportamento é inadequado, mas sim ensinando-a a fazer o que é correto. Não podemos controlar o comportamento de ninguém, a não ser o nosso. Mas podemos aprender a decodificar o comportamento da criança e responder às suas necessidades, ao invés de reagir ao seu comportamento. As necessidades não supridas de uma criança são a causa da maioria dos problemas comportamentais, portanto, escute o que o seu filho tem a dizer, se conecte com ele. E como fazer isso?

 

Os pais se interessam muito mais sobre um novo bouncer para comprar que vai segurar seus bebês do que sobre a importância de segurá-los no colo. O que nossas crianças precisam mais, o dinheiro não pode comprar. Nossas crianças precisam de conexão humana. Uma ligação sadia e forte entre pais e filhos, criada através de conexão amorosa e consistente, é essencial para o bem estar da criança e o seu desenvolvimento.

 

Esta ligação também é chave para nosso sucesso como pais. A velocidade estressante da vida moderna, a perda do suporte familiar, e a contínua e crescente quantidade de tempo que adultos e crianças passam em frente à televisão, celular e computador, contribuiu muito para o enfraquecimento da conexão entre pais e filhos. Atire a primeira pedra a mãe que não liga Discovery Kids para a criança ficar quieta enquanto ela navega em redes sociais, procura novidades sobre produtos infantis, vestuário, ou até escrever sua rotina num blog. Por que não desligar a tv, fazer um desenho juntos, montar quebra-cabeças, plantar uma flor, ver fotos antigas, contar uma história? Sim, eu sei, bem mais fácil deixar ele ali quieto vendo o desenho, não é? Mas quem disse que maternidade seria fácil? Ser mãe/pai exige dedicação, tempo e amor.  O herói do seu filho tem que ser você. Não é a Peppa Pig que deve ensinar sobre reciclagem ou escovar os dentes, é você! Os personagens podem ser coadjuvantes, reforçar seus ensinamentos, mas você tem que ser o ator principal na educação dos seus filhos.

 

A autora reforça que sempre que estivermos confusos sobre alguma atitude, que devemos nos perguntar: “se eu seguir este conselho/caminho, vou criar uma conexão ou desconexão com meu filho?”. Veja bem, o caso aqui não é ser permissivo ou autoritário, e sim pró-ativo, antecipar as necessidades de seu filho para não ter que lidar com um comportamento inadequado. As crianças sabem que os adultos são maiores e mais poderosos que eles e por isso agem em defesa própria. Elas enxergam as ameaças dos pais como “o que você sente, pensa, quer ou precisa não me importa”. O segredo é entender que qualquer comportamento inadequado ou falta de cooperação é consequência de uma necessidade não atendida, ou de uma expectativa irrealista por parte dos pais. Portanto, se conecte com seu filho, antecipe suas necessidades, escute o que ele tem a dizer e tente compreender o que importa para ele.

 

Conexão: se sentir amado e ouvido

 

Desconexão: se sentir magoado e ignorado

 

A autora cita no livro as duas ferramentas abaixo que acho importante mostrar para vocês e espero sinceramente que lhes ajudem a se conectar com seus filhos. Lembrem-se sempre de se abaixar no nível deles, olhar nos olhos, falar com voz suave e amorosa, mostrar que quer ajudá-lo, ouví-lo. Com certeza seu filho irá colaborar.

 

Ferramenta 1: Conexão

 

Prover a criança com uma conexão amorosa consistente através de contato visual, toque carinhoso, respeito, escuta, e passando tempo trabalhando e brincando juntos.

Aqui novamente a autora menciona que sempre que nos perguntamos COMO reagir ao comportamento da criança, que devemos nos perguntar se a atitude que pretendemos tomar seria conexão ou coerção?”. Ela enfatiza que devemos sempre encontrar uma forma de responder a um comportamento sem criar uma desconexão. A frase que ela utiliza é “conecte antes de corrigir”.

 

Ferramenta 2: Reconexão

 

Às vezes perdemos a cabeça e reagimos antes de conectar com a criança. Podemos identificar quando nossa reação causou uma desconexão, pois uma criança que se sente magoada e ignorada irá ou atacar (gritar ou chorar) ou recuar (não fará contato visual conosco, não conversará e rejeitará nosso toque). Assim que você notar que sua reação causou uma desconexão, utilize a ferramenta 2 para reconectar.

 

Para se reconectar, temos 3 passos (3 R’s):

–       RETROCEDA: reconheça seu comportamento que magoou a criança (“O que eu disse foi horrível/não foi correto”);

–       REPARE: peça desculpas e deixe claro para a criança que ela não merecia este seu comportamento.

–       REPLAY: responda com amor e escute as suas necessidades

 

Uma vez li em algum lugar que não me recordo algo que me foi muito valioso. Você está tendo um dia de cão, está cansada e esgotada. Na hora de servir o jantar, aquele pratinho azul que seu filho adora para comer está sujo, embaixo de uma pilha de louça que você não tem tempo para lavar. Você pega o pratinho vermelho (que é i-d-ê-n-t-i-c-o ao azul), serve a comida nele e no momento que coloca na mesa é aquela choradeira, seu filho se recusa a comer, joga o prato longe e agora você ainda vai ter que limpar o chão. A minha atitude e acredito que da maioria das mães, seria se exaltar, perder a cabeça, ficar brava, a criança começa a chorar, a mãe também, enfim, instaurou-se a DESCONEXÃO. Nessa leitura o artigo explicava como é difícil para uma criança pequena fazer algo diferente, algo desconhecido, e usava justamente esse exemplo do prato, mas usava um copo. Para a criança pequena, o suco de laranja no copo azul fica muito esquisito, com cara de algo que ele não conhece, diferente da cor que fica no copo vermelho, o qual ele toma todos os dias. Não adianta você dizer que ali tem o suco que ele tanto ama, ele não vai querer tomar e pronto. É nessas horas que você tem que ter a paciência e se conectar, abaixar no nível da criança e explicar a situação, dizer que você está ali para apoiá-lo, que ele deve experimentar e se não gostar você vai procurar o outro copo. Parece fácil falar, mas colocar em prática nem tanto assim não é? Mas posso dizer que toda vez que eu converso com minha filha de uma forma amorosa, no nível dela, fazendo carinho e explicando que eu quero ajudá-la mas ela precisa ser clara, funciona muito bem. Depois que passei a tentar me conectar com minha filha todas as vezes que temos impasses, nosso relacionamento melhorou MUITO e hoje temos bem menos momentos de impasse, pois ela aprendeu a confiar em mim e saber que eu vou escutá-la e na medida do possível eu vou fazer o que ela precisa.

 

Tente você também, se aproxime, interaja, brinque, ouça o que seu filho tem a dizer. Ele não precisa de ipad, videogame, roupas de grife ou brinquedos importados. Ele precisa de você, de sua presença, de sua companhia, de seu suporte, de seu companheirismo. Garanto que sua vida será bem mais fácil, e os benefícios para seu filho serão valiosos.

 

Se quiserem discutir mais sobre o assunto, deixo aqui meu e-mail: dailybabytips@gmail.com. O livro só está disponível em inglês, e existe também a versão e-book à venda na Amazon (baixe o aplicativo Kindle em seu tablet/smart phone e adquira o livro). Recomendo muito a leitura. É fantástico. Um abraço a todos e até a próxima.