Arquivo de September 8th, 2009

Sep 08 2009

Frio na espinha…

Publicado por em Susto,Viagem

Vocês que me acompanham sabem que devido ao meu trabalho, eu acabo viajando muito. Nunca fui uma pessoa de ter medo de avião, e quanto mais a gente viaja, mais a gente perde o medo.

Meu marido se borrava, e de tanto viajar comigo foi perdendo o medo também. É fato, quanto mais se viaja menos medo se tem. Pois é.

Até quinta-feira passada.

Na verdade eu não tinha nadinha de medo, às vezes quando o avião chacoalhava um pouco eu ficava meio esperando para ver se valia a pena se borrar ou não, e na maioria das vezes ficava tranquila.

O fato é que o crescimento da aviação comercial no mundo trouxe consigo diversos acidentes. Não é que mais aviões tem caído nos últimos anos (apesar de que para nós parecer que sim), e sim como tem muito mais avião voando, tem mais caindo também, mas proporcionalmente, o percentual de aviões que caem diminuiu.

Com tantos acidentes acontecendo e próximos da minha realidade como o avião da TAM vindo de Porto Alegre que explodiu, o da Airfrance que no mesmo dia eu peguei um vôo com destino a Londres com a mesma rota, passei pelo local do acidente 6 horas antes, avião com pouso forçado em NY, etc… por fim, percebi que acidentes acontecem de verdade, mesmo no caso de empresas de primeira linha com manutenção em dia e aviões novos.

Porque que eu tô falando isso?

Porque quinta-feira passada, voltando de Porto Alegre, eu passei pelo pior momento da minha vida dentro de um avião. Tudo começou quando estávamos chegando em São Paulo (Congonhas) para pousar. O piloto informou que teria que corrigir a rota pois os ventos haviam mudado e não daria para pousar do lado esperado em Congonhas. Quando o avião começou a descer, o negócio tremeu e muito. Até aí tudo bem… já estávamos bem baixos e percebi que a neblina estava muito forte pois mal conseguia ver os prédios de Moema (bairro próximo ao aeroporto). O avião já estava bem baixo, próximo aos prédios, e continuava desestabilizado, tremendo, perdendo altitude e balançando muito. Já comecei a achar tudo muito estranho, porque quando o avião está para pousar tudo fica bem calmo, estável….

Quando estávamos quase tocando o pneu do avião na pista, passando por cima da Washington Luís, eu na janelinha já via que estávamos em cima da pista, quando ele ia tocar o solo, bem devagar, só sinto um tranco, um barulhão da turbina acelerando, e o avião levantando, arremetendo para ser mais precisa. Nesta hora só consegui dizer “ARREMETEU!!!”.

Pronto. Silêncio no avião. E ele sobe sobe sobe sobe sobe e nenhuma palavra do piloto, tripulação ou passageiros. A nega do meu lado começa a entrar em pânico, percebo a tensão dentro do avião. Todos quietos.

E o avião continuava a subir. Mas na subida, encontramos a tempestade que fez o dia virar noite em SP, muita muita turbulência. Não dava nem para segurar no apoio do banco, de tanto que o mesmo tremia. O avião tremia demais, eu na janelinha acima da asa via o quanto a coitada tremia e sofria em meio a tempestade. Nessa hora o pânico começou a tomar conta de todos. Até eu naquele momento comecei a segurar as lágrimas, pensando em tanta coisa, pedindo para Deus perdão pelos meus pecados, etc… aquelas coisas que deveríamos fazer todos os dias e só fazemos na hora do aperto sabe?

Bom, depois de subirmos um tantão, vem seu piloto “bom de braço” avisar que estávamos indo em direção a Campinas por ser impossível pousar em SP dada a tempestade. O detalhe é que chegamos em Campinas junto com a mesma tempestade…. para descer e pousar este avião foi um horror novamente, tremia para caramba, aí desbundou de vez, todo mundo chorando, galera vomitando, criança chorando, não teve um alí que não se borrou… Mas o negócio tremia tanto, mas tanto, que o piloto não conseguia descer o avião… ele começava, o negócio apertava, ele subia denovo… e assim foi até que ele jogou o avião na pista… jogou literalmente, foi o pior pouso da minha vida….

Mega medo…. enfim…. depois de pousar o piloto manda todo mundo esperar porque iriam voltar a SP assim que a chuva melhorasse. Aí eu me borrando, já liguei para o chefe xingando que queria aumento porque minha vida valia demais para ficar me arriscando assim, já estava passando todas as senhas de tudo quanto é coisa para o marido, etc…. Aí Rafa me fala que SP tava tudo preto, caindo o mundo, só gritou comigo “SAI DESSE AVIÃO AGORAAAAAAAAA!”… aí eu chamei a aeromoça e falei bem no estilo Tropa de Elite: “Tô pedindo para sair, abre a porta que eu quero descer!”. Depois de muita confusão, eu desci (junto com metade do avião que também não quis arriscar), aluguei um carro e vim embora dirigindo, segura, pé no chão, mas cheguei, isso é que importa.

Baita apuro que passei, agora qualquer tremidinha da minha vida vou me borrar…. será?

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