Sep 01 2009

St Petersburg

Publicado por Admin ??s 12:33 em Viagem

Enfim, com dois meses de atraso, segue o post sobre St Petersburg.
Lá no post sobre Moscow, paramos na viagem de trem.

A viagem de trem é uma das coisas que eu acho imprescindível se fazer quando estiver na Rússia. A maioria das pessoas vai de Moscow a St Petersburg de avião, e não sabem o que estão perdendo.
O transporte ferroviário é o principal meio de transporte na Rússia há dezenas de anos, e a experiência me fez sentir no passado, incrível.

Existem diversos trens de uma cidade para outra, de diversas classes, horários, tamanhos, pessoas. Não é um programa muito turístico não (pelo menos no que eu fui não vi nenhum turista, só russos, o que faz o passeio ficar melhor ainda!), e confesso que não é fácil comprar os tickets com antecedência, mas vale o esforço.

No nosso caso fomos com o Grand Express, não era o mais caro mas também não era o mais barato, mas o horário era super conveniente (saía a meia noite e chegava as 8 da manhã), e com isso economizamos uma diária de hotel. Não foi barato, pagamos mais ou menos 200 dólares por cabeça, já que queríamos ir sozinhos nas cabines. Se você optar por dividir com outras pessoas nas cabines que cabem 4, você pagaria algo como 100 dólares.

Para comprar foi um parto, eu insisti com o Rafa que queria comprar os tickets antes de viajar, e não dava para comprar pelo site, bem complicado. No site tem um chat onde ele entrou e pegou o contato de uma agência que compra para você e leva o ticket no seu hotel em Moscow com data e hora marcada. Ficamos ultra com pé atrás, mas como o pagamento só acontece na hora do recebimento dos tickets, fiquei tranquila pela grana, mas morrendo de medo de dar errado e ficarmos presos em Moscow.

No dia e hora marcada o cara estava lá com os tickets, pegos ou rublos e estava tudo certo. Recomendo.

Chegamos na estação do trem, um pouco confuso pois tinha a saída de trens locais (região metropolitana de Moscow) e dos que iriam para outras cidades. Estávamos no primeiro, achei meio estranho pois a plataforma do ticket não condizia com o trem. Depois de convencer meu marido a pedir informações (ah, homens!), peguei o ticket na mão e mostrei para um guardinha (óbvio que seria tudo na mímica). O cara apontou outro lado, e lá fomos, chegando lá avistamos de cara o trem. Esperamos alguns minutos, entramos e nos instalamos. Apesar de um pouco apertado por causa das malas, a qualidade, higiene e conforto eram excelentes. Tinha um lanchinho para cada na mesinha, com ovas de salmão, iogurte, pão, cream cheese, suco, etc.. Comemos, tiramos as colchas do banco e deitamos nos lençóis cheirosinhos e limpinhos. O banco-cama é excelente, e como estávamos na rua desde as 10 da manhã (já eram 1 da manhã) andando, caímos logo no sono, não antes de assistir BBC (canal britânico) em inglês (delícia) na tv de plasma dentro do compartimento (sim tem até tv via satélite). O trem começou a andar e me senti um bebê com aquele balançinho gostoso e adormeci. Rafa também. Ele havia me dito que o trem era direto, sem paradas. Quando foi umas 3 da manhã, acordei com o trem parado, achei estranho, abri a janela e vi que estávamos parados no meio do nada (uma floresta), sem luzes que poderiam indicar uma estação, fiquei apavorada, hahahha, mas estava tão cansada que voltei a dormir pq não adiantaria ficar com medo dado que se acordasse o Rafa ia dar divórcio de tão podre que ele estava. Por fim, acordei só quando o trem estava entrando em St Petersburg, estava revigorada, peguei a necessaire que ganhamos (sim, pelo preço só faltou champagne) e fui escovar os dentes e lavar o rosto. Voltei para cabine e o trem parou. Nós caipiras ficamos esperando pois não sabíamos se poderíamos descer ou não, eis que aparece o guardinha mandando a gente descer, não entendi o que ele falou em russo mas deu para perceber que ele estava bravo porque todo mundo havia descido e só faltavam nós dois para ele ir embora! Ou seja, na Rússia o trem parou saia correndo, falou? Esqueci de mencionar que antes de dormirmos Rafa foi até o vagão-restaurante comprar as duas coca-colas mais caras do universo. Definitivamente não dá para comer no trem, muito caro.

Descemos e a temperatura estava mais agradável que Moscow no primeiro dia, mas mais frio do que no último dia. Pegamos um taxi e fomos para o apto que alugamos.

Esse merecia um capítulo a parte, mas já que tenho tanto tempo para contar vou encurtar. Meu marido teve esse idéia de alugar um apê. Realmente é uma boa idéia, e valeu a experiência, mas aconselho fazer isso em países onde você conhece mais e fala a língua. Não que tenha sido difícil, mas seria legal ter uma recepção falando em inglês para te ajudar de vez em quando. Mas a vista do apê era muito legal, e foi uma viagem ficar imaginando tudo que aconteceu naquele apartamento tão antigo (mais de 140 anos), apesar de reformado. Estando alí pudemos também comprar comida e cozinhar, sim eu cozinhei na Rússia!!! Como conseguimos comprar os ingredientes como sal, óleo, etc? Graças as fotos nos produtos e alguns que tinham escrita, como PARMESAN, fica fácil né? Mais do que isso, compramos um travel book que já mencionei no post de Moscow, que tinha os principais itens de supermercado, frases, etc. Ele é imprescindível para qualquer um que vá a Rússia ok? Eu comprei na Saraiva e paguei R$60,00.

Eyewitness Travel Phrase Book: Russian

A mulher que nos alugou o apto vivia falando que o apto era bom mas o prédio e a escada não, hahaha, quando cheguei e vi a escada, certeza que esse prédio foi bombardeado (veja a fotos da escada no álbum).

O que falar de St Peterburgo? É uma cidade totalmente européia, e depois de conhecê-la a fundo, entendi o porque da revolução do proletariado! Nunca vi uma família real tão rica, de deixar qualquer outra na Europa no chinelo. Pedro – O Grande e Catarina construíram vários palácios, de uma riqueza absurda.

Pedro foi estudar na Holanda e se apaixonou por Amsterdam. Quando voltou para a Rússia, decidiu que St Petersburg seria como Amsterdam, e construiu a cidade cheia de canais, maravilhosa. A cidade é uma mistura de Londres com Paris e Amsterdam, tem como não ser maravilhosa? Os dias foram esquentando e no final estávamos de bermuda na rua, implorando por um ar condicionado, e aí sim acreditei que na Rússia tem verão!

St Petersburgo se chamava Petrogrado, depois de Lenin virou Leningrado, e depois de Stalin virou Stalingrado, e depois do fim da Guerra Fria voltou a ser chamada de Leningrado, e em 1991 um plebiscito na cidade descidiu que seu nome voltaria a ser St Petersburg.

A cidade foi a que mais sofreu durante a invasão nazista na II Guerra Mundial. Hitler cercou a cidade e deixou-a sem suprimentos, veja mais detalhes sobre a Batalha de Leningrado, mas por fim muitas pessoas morreram, mais de 1,5 milhões, e a maioria de fome e não pela guerra. Diz a história que as pessoas mergulhavam nos canais em busca de ratos para comer e sobreviver, imagina o que não foram esses 872 dias. Não é a toa que a cidade é símbolo da resistência soviética, pois a população não se entregou e lutou até o fim!

Por fim, a cidade foi re-construída e é linda.

O que eu sempre recomendo em viagens a qualquer lugar do mundo, é buscar um walking tour. Normalmente são estudantes que se mudaram para o país em questão e conhecem cada detalhe da cidade, e você fica durante horas caminhando e conhecendo histórias e detalhes que nenhum guia turístico ou livro te darão.

Lá não foi diferente, fizemos o Peter’s Walking Tour e foi bem legal, desconsiderando que no começo (primeira hora) caiu o maior pé dágua, não tirei foto e ainda fiquei com raiva porque comprei o guarda-chuva mais caro do universo (tipo 50 reais). Enfim, valeu muito, andamos muito, cerca de quatro horas, passamos por lugares históricos, por onde Lenin começou a revolução, disfarçado com faixas na cabeça alegando uma dor de dente, paramos em uma famosa cafeteria que Lenin adorava para comer a famosa torta russa (parece um cheese cake com passas) que não me lembro o nome, fomos conhecer as vizinhanças mais afastadas da cidade. Não foi o melhor walking tour que fiz na minha vida, mas valeu bastante. O guia que era uma bosta, um russo que tomou uma hora de chuva na cabeça e ficou ensopado só para nos convencer de que a chuvinha era fraca (dilúvio) quando dissemos que queríamos cancelar e o dinheiro devolta…. No nosso grupo tinham 2 americanos super gente boa (pai e filho) que nos disseram que haviam feito o tour no dia anterior, com o próprio Peter (dono) e gostaram tanto que voltaram, mas que aquele guia realmente era ruim, e que o circuito muda todo dia. Daí a dica, se puder, faça dois ou até três dias, começa por volta das 10 e termina 2 da tarde.

Neste dia andamos muito, muito mesmo, cerca de 20 km. Não paramos um segundo se quer e não usamos ônibus, metrô, etc. Saimos as 9 da manhã e chegamos em casa à meia-noite, ainda de dia.

Isso é delicioso no verão de St Petersburg, o sol da meia noite. O dia é infinito, rende bastante e você consegue aproveitar.

Fizemos diversos passeios, passando pelos pontos mais turísticos, andamos de barco, fomos nas igrejas, compramos as Matryoshkas, fomos nos pálacios de inverno e verão (Peterhof), que é um passeio maravilhoso. Peterhof era o palácio de verão de Pedro – O Grande, e deixa Versailles no chinelo, acredite. O passeio custa uns 30 dolares mas vale muito a pena, pegue o barco em frente ao museu Hermitage a cada 30 minutos. É maravilhoso.

No dia seguinte acordamos cedo e fomos ao Hermitage. O Hermitage é um dos maiores museus do mundo, com acervos importantíssimos, e maravilhoso por dentro e por fora, já que era a casa de Pedro o Grande. Eu achei muito maior, mais bonito e mais interessante que o Louvre (Paris) para se ter idéia. Só que ele também é conhecido pelas imensas filas de quase 2 horas para entrar. Imagine ficar 2 horas de pé e depois ter que andar por um museu gigantesco? Não há pernas que aguente! Pois segue a dica mais importante de todas, que nos deixou de queixo caído: compre o ingresso pela internet, você fura todas as filas, é absurdo o negócio, nem no caixa dentro do museu onde se paga depois de ficar 2 horas na fila do lado de fora, é a coisa mais fantástica do universo, você vai mostrando o papel e passando na frente de todo mundo, todos te olhando querendo saber o que você tem de tão especial para fular a fila. Portanto já sabe né? Vai no Hermitage, compre pela internet.

Logo na entrada uma artista metida a intelectual (e parecia ser mesmo) se ofereceu para nos guiar. Na verdade ela queria montar um grupo, cobrando 25 EUROS (!) cada. Eu não quis, porque primeiro DETESTO museu, segundo porque não tava a fim de alguém fazendo a minha visita se alongar mais ainda com detalhes. Tínhamos nas mãos algumas obras que uma revista indicava, como Da Vinci, o relógio-pavão (animal!!!) e outros. Foi MUUUUIIIITOOOO difícil encontrá-los, até porque ninguém dentro do museu falava inglês, espanhol, italiano ou qualquer coisa que eu pudesse tentar entender!!! Eu fazia o seguinte, chegava no guia do museu, abria o mapa do mesmo, e perguntava igual neném com a maozinha para cima (“cadê nenê?) “Da Vinci?”, aí o cara apontava no mapa e a gente se virava para chegar lá. Pelo menos o mapa era bom. Resumindo, vale a pena contratar um guia para te explicar, nós ficamos nos juntando aos grupos de espanhóis e italianos que estavam no museu com guias, tentando entender o que eles explicavam, bem migué mesmo!!

Quando você entra no museu você lembra dos folhetos que te dizem que a riqueza daquele lugar causou a revolução bolchevique (proletariado), pois era muita riqueza para um povo que passava fome. Isso é muito verdade, nunca vi tanta riqueza.

Saindo de lá fomos passear mais ainda, e depois visitar a Catedral de St Isaac que como tudo, tinha que pagar para entrar. Poderia pagar para entrar dentro dela e para subir na cúpula e ter a mais linda vista de St Petersburg. Como sou cristã não-católica e Rafa judeu, nada a ver entrar dentro de igreja, resolvemos pagar somente o valor da visita na cúpula. Isso já eram quase 9 da noite, ultra claro, mega sol (veja nas fotos), subindo 500 milhões de degrais e cruzando uma ponte onde eu jurava que daria meus últimos passos de vida (odeio alturas), mas valeu a pena. Bem legal, aprovado.

Saindo de lá, do lado da igreja (1 quarteirão apenas) fica o Stroganoff, uma casa de carnes maravilhosa, onde comemos maravilhosamente bem (não aguentava mais ir no MacDonanlds, pedir Mchicken e levar cheeseburguer), experimentamos uma vodka deliciosa, vinho russo, e é claro, o verdadeiro estrogonofe, prato inventado alí (diz a lenda) e que levou o nome do lugar, que tem lá seus cento e tantos anos. Muito muito muito muito bom. Vale a pena mesmo. Gostamos tanto que voltamos no dia seguinte. Não é caríssimo mas não é barato, gastamos com comida, entrada, vinho, sobremesas, vodka, etc algo como 260 reais o casal.

No último dia fomos dar uma voltinha no metrô de lá que assim como o de Moscow, tem estações maravilhosas, e acredite, são muito mais profundas. Realmente vale a pena, aconselho a linha vermelha, onde estão as principais estações.

Nos sentimos super seguros, apesar de nos avisarem sobre os batedores de carteiras. No apto era difícil de dormir já que a cortina era fininha e escurecia a 1 da manhã e as 4 já estava claro denovo (máscara de olhos salvou minha vida!). Aconselho muito a irem no verão, a cidade fica deliciosa. Dá para fazer tudo a pé, basta ter pique e vontade de aproveitar as coisas únicas da cidade.

No dia de irmos embora pegamos o metrô + ônibus até o aeroporto. Não recomendo pois o ônibus é circular e estava lotado, além disso o aeroporto é praticamente do lado da cidade e um taxi não ficaria caro.

A Rússia realmente é um país fascinante, mas gostei mais de Moscow do que St Petersburg. Moscow vive-se mais o lado comunista do país, e St Petersburg é muito parecido com o resto da Europa, mas também cheio de histórias.

No aeroporto compramos os famosos chocolates russos, que só vim a comer no Brasil e me arrependi muito porque são deliciosos e se soubesse haveria comprado mais. Compramos também a vodka mais famosa por lá, a BELUGA, e a dica do garçom do Stroganoff (única pessoa com quem conversamos na viagem já que falava inglês) era de comprar somente a que tivesse um peixe em relevo por fora, que é a melhor vodka de todas (e mais cara também). Só achamos no freeshop mesmo, nem em Londres não tinha mais. Embarcamos para Londres, onde terminou nossa exótica e maravilhosa viagem a Rússia. As fotos estão abaixo. Enjoy!

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