jul 13 2012

Depressão Pós Parto (DPP)

Publicado por ??s 09:52 em Filhos,Gravidez

Quando comecei este blog, lá em 2006, morava em Londres e queria guardar de recordação a vida que tinha lá, e por tal razão, comecei a escrever no blog. Voltei para o Brasil e continuei escrevendo pois para mim o blog é uma forma de guardar na memória momentos importantes da minha vida. Frequentemente entro aqui e leio posts antigos e percebo como a gente muda nessa vida.

Mas além de ser um diário para mim, o blog ajudou muita gente por aí. Seja com dicas de maquiagem, receitas, desabafos, cachorros, etc. Mas o post mais importante, e disparado com o maior número de acessos, é o post sobre a minha cirurgia de retirada de calázio. Esse carocinho de nome estranho não é muito comum na net, e por isso meu post ajudou tanta gente.

E é por essa razão que venho aqui agora escrever sobre esse assunto super mito, a depressão pós parto. Eu quero MUITO ajudar a quem está passando por isso como EU PASSEI. Quero poder contar a você amiga, que está passando por isso, tudo que eu senti e pensei, para você não se sentir sozinha. Quero te ajudar como minha amiga Eliane me ajudou (ela também teve), e tentar te tirar dessa como ela, eu e tantas outras mulheres conseguimos sair.

Quando você volta da maternidade, os primeiros 15 dias são novidade. Você está se adaptando à nova rotina e o seu bebê também. Muitas visitas, aquele imenso amor, felicidade intensa. TODAS AS MULHERES SEM EXCEÇÃO, ficam ultra sensíveis nestes dias. Choram por qualquer coisa e sem razão. É o chamado “BABY BLUES”. Comigo e com todo mundo foi assim.

Passadas as 3 primeiras semanas, começa o período de solidão. Ninguém te conta quando você está grávida o quão solitário a maternidade pode ser. TODAS AS MINHAS AMIGAS, até as que não tiveram DPP se sentiram MUITO sozinhas nos primeiros meses. Até aí é normal.

No meu caso, sempre fui muito ativa e fazia mil coisas ao mesmo tempo. Eu estive grávida até 41 semanas e 3 dias, trabalhei até sexta-feira a noite e fui parir no sábado de manhã, dirigi até o último segundo, pegava crianças e cachorros de 15 kilos no colo, abaixava, carregava peso, fazia o escambal. Enfim, a gravidez não me parou, não me limitou em nada.

Aí de repente fiquei em casa sozinha o dia inteiro, tomava café sozinha, almoçava sozinha, dava de mamar e Sarah dormia (ela sempre foi boazinha), ficava aquele silêncio na casa. O tempo de SP não ajudou. Era final de Maio, chovia muito, dias cinzentos, tudo conspirava contra eu poder sair de casa.

De repente, não mais que de repente (era uma segunda-feira) os chorinhos esporádicos ficaram muito frequentes. Eu chorava o tempo inteiro, chorava durante horas, ia tomar banho e ficava 40 minutos no chuveiro chorando de soluçar para não chorar na frente da empregada, tinha crises de desespero, clamava sozinha por socorro, tinha vontade de morrer, de sumir, etc.

Fui muito rápida em perceber que aquilo não era mais baby blues e corri ligar para minha ginecologista, que imediatamente me receitou anti-depressivo (um específico para quem amamenta). Isso era quarta-feira, 2 dias depois dos sintomas aparecerem. Apesar da minha rapidez, anti-depressivos demoram em média 15 dias para fazer efeito (comigo levou quase isso – 13 dias). E até ele fazer efeito, vivi os PIORES dias da minha vida. Os piores 15 dias da minha vida.

Para vocês terem uma idéia da dimensão da minha DPP, pensei até em dar a Sarah para adoção. Sim, rejeitar a criança é um dos sintomas, e 2 amigas passaram pela mesma coisa. Uma delas não conseguia sequer entrar no quarto do bebê, não amamentava nem pegava no colo. O colega de trabalho do meu marido teve uma história terrível, a mulher dele teve uma DPP tão profunda que um dia ele chegou em casa e ela estava quase jogando a filha da sacada do apartamento.

Sei que algumas pessoas que estão lendo isso vão pensar “que tipo de mãe vocês são”, “quanta frescura, depressão não é doença”… E não vou julgá-las não pois eu pensava exatamente a MESMA COISA. Falta de louça para lavar, falta de tanque de roupa suja, mulheres desocupadas, de vida fácil, não sabem o que é tabalhar de verdade. Pois é, Deus nos dá filhos para pagarmos nossa língua.

Sempre julguei muito minha mãe, que teve uma DPP horrível, há 33 anos atrás quando não existia remédio e as pessoas não sabiam da doença. Ela sempre foi perturbada, foi se curar quando eu tinha 18 anos só (e a medicina descobriu a fluoxetina!). Nunca foi uma mãe amorosa, apesar de fazer de tudo por nós. Foi uma excelente mãe no que tange a educação, mas amor, não. E hoje eu entendo cada atitude dela. E queria muito ter a coragem de pedir perdão a ela pelas milhões de vezes que joguei isso na cara dela. Imagino o quanto ela não deve ter sofrido. A DPP nos tira tudo, não só a vontade de viver mas também qualquer bom sentimento que temos dentro de nós. SOMOS INCAPAZES DE AMAR QUANDO ESTAMOS DEPRIMIDOS.

Então minha querida, se você estiver sentindo qualquer um dos sintomas abaixo, principalmente após 20 a 30 dias pós parto, POR FAVOR corra para seu ginecologista e peça AJUDA, não perca tempo antes que seja tarde, antes que seja mais difícil você se recuperar e você vai perder momentos maravilhosos com seu bebê.

1) Vontade incessante de chorar, que vem e vai do nada. Tem horas do dia que você tá super bem, não sente nada, de repente você sente uma tristeza profunda na alma, uma vontade de chorar que vem não sei de onde, e que é incontrolável. Não importa onde você esteja, não consegue controlar o choro. Eu cheguei a chorar de soluçar no meio de um restaurante com toda minha família na mesa, foi péssimo, ninguém sabia o que fazer.

2) Medo de ficar sozinha, ou maior vontade de chorar ou pânico/desespero quando fica sozinha. Quando dava 5:30 e minha empregada começava a se arrumar para ir embora, eu entrava em desespero, não dava bandeira mas era só ela sair de casa que eu chorava e chegava até a gritar de desespero.

3) Medo de não dar conta dos cuidados do bebê. (isso eu não tive, mas algumas amigas tiveram)

4) Falta de amor pela criança. Veja bem, não é sentir ódio, mas aquele amor de novela, aquele amor de mãe que todo mundo fala, você não sente. Você olha o bebê, acha fofo, cuida dele direitinho, amamenta, mas seu coração não chega a doer de amor. Esse para mim foi o pior sintoma. Eu me lembrava do dia em que ela nasceu e do amor que senti nos primeiros dias e me perguntava porque não sentia mais aquilo, me achava a pior mãe do mundo, até que minha amiga Eliane e minha mãe me garantiram que aquilo era da doença e que quando eu melhorasse o sentimento apareceria novamente (e foi batata, hoje sou louca por ela e tenho um amor que não tem fim!).

5) Falta de apetite, ou excesso de apetite.

6) Sono, muito sono, e não por causa dos cuidados do bebê, e sim daquele sentimento que você não quer sair da cama, você quer dormir e não acordar mais, ou só acordar depois de meses.

7) Batedeira no coração e tremedeira. Eu tive muita batedeira no coração, acho que eram as crises de pânico. Me dava um desespero de repente, meu coração disparava, me dava um aperto na boca do estômago, queria sair gritando por socorro. Era horrível.

8) Sentimento de que você só era feliz antes do bebê nascer. Querer sua antiga vida de volta, pensar que você nunca mais vai ser feliz como antes, se perguntar porque inventou de ter filhos. Te garanto que tudo isso vai passar, pode acreditar.

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Neste link do babycenter tem alguns outros sintomas e algumas dicas para os familiares lidarem com essa situação.

No meu caso ter o apoio incondicional do meu marido, que em nenhum momento me julgou (muitos acham que é moleza, falta do que fazer), e o apoio dos meus pais, foi fundamental. Depois de 1 semana chorando sem parar, meu marido resolveu me levar para a casa dos meus pais onde fiquei por 3 semanas até estar bem o suficiente para voltar para SP, e minha mãe veio comigo e ficou aqui até ter certeza que eu estava bem e ela podia me deixar sozinha.

Busque ajuda, não tenha medo ou vergonha de dizer que está passando por isso. Infelizmente a sociedade julga muito mal as pessoas que têm depressão. As mulheres são cobradas de ser super felizes quando têm um filho. Tive amigas que me questionavam: “não entendo, você sempre quis ser mãe, agora que tem um filho, porque está triste?”. Infelizmente, não era uma escolha, um estado de espírito que eu havia escolhido. Era um problema fisiológico, e hoje eu entendo isso profundamente, pois o medicamento me curou, então realmente acredito agora que depressão é doença e só remédio pode curar.

Não perca tempo, seja rápida em se tratar. Não é fácil, mas acredite, VAI PASSAR. Quando minha amiga Eliane me falava isso, durante nossas longas conversas no whatsapp, eu não acreditava, e morria de medo de ficar assim para sempre. Mas acredite, PASSA, você fica boa e curte muito seu bebê, volta a ter uma vida normal (mas não pode parar a medicação viu, e nem esquecer um dia sequer!) e ser feliz novamente.

Se você estiver desconfiada que está passando por isso, mas não tiver certeza, ou não tiver com quem conversar, pode me escrever (cburin@gmail.com). Quero muito tentar ajudar você, assim como fui ajudada e foi muito importante durante a minha recuperação.

Hoje estou super bem, feliz, realizada, amando ser mãe. Tudo que eu sempre sonhei em relação a maternidade se concretizou, e posso dizer que é ainda melhor do que eu esperava. Vou retomar o blog, escrever sobre as peripécias de Sarah que completou 2 meses semana passada, está enorme e muito fofa. Quero vir aqui também falar sobre dicas para as cólicas, utensílios que usei, etc.

Espero que este post ajude a muitas mulheres que assim como eu tiveram DPP.

4 coment??rios

4 comentários to “Depressão Pós Parto (DPP)”

  1. Rosiclerem 22 jul 2012 at 19:58

    Oi Cynthia!

    Nossa, muuuuito feliz de te ver de volta!!!
    Praticamente todos os dias eu entrava no blog e como nao tinha post pensava que deveria ser por conta de muitas coisas e adaptacoes do momento da sua vida. E hj quando entrei, vi o post e entendi o que acontecera. Mas realmente DPP acontece e nao e nem um pingo de frescura. Nao sou mae (serei em breve se Deus quiser rs), mas posso dizer que conheco muito bem tudo o que vc descreveu. Na segunda gravidez da minha irma, ela teve DPP ja na maternidade, pq meu sobrinho nasceu com umas mechinhas clarinhas no cabelo e ela dizia que ele era feio, diferente e nao se parecia com ela. Depois comecou a sentir culpada por nao poder dar atencao ao primeiro filho e por ai foram sintomas e mais sintomas de DPP. Sem duvida o apoio incondicional da familia e essencial na superacao da DPP!

    Parabens pela iniciativa do post, expor a propria vida em beneficio de outros e um gesto nobre, demonstra na pratica o amor incondicional que devemos ter pelo proximo!!!

    Bjs, Rosicler.

  2. Rosiclerem 22 jul 2012 at 19:59

    Ah, perdao pela falta de assentos, nao tenho paciencia de dar os comandos nesse teclado da Apple hihihihi!!!

  3. Marizeem 30 jul 2012 at 15:00

    Como eu gostaria de ter lido um post como este quando tive meu primeiro filho…
    Parabéns pela iniciativa.
    Bjs,

  4. Fernandaem 06 ago 2012 at 10:59

    Muito bom esse seu blog. Ainda não tenho filhos, mas já tive depressão 2x e síndrome do pânico. Durantes esses meses, realmente foi a fluoxetina que me fez voltar ao “normal” e depois terapia cognitiva, mas como vc mesma disse, até o remédio fazer efeito, vc vive os piores momentos da sua vida. É horrível demais, uma experiência que não desejaria nem ao pior dos inimigos. Já que tenho histórico dessas condições, depressão e pânico-alta ansiedade, sei que quando tiver filhos, tenho mais chances de ter DPP do que outras mulheres, então é uma coisa que eu sei que precisarei ficar atenta quando me tornar mãe um dia. Saber que existe tratamento e que isso passa, realmente te traz esperança, especialmente qdo vc está vivendo dias na escuridão, mas ter apoio durante esse período, é realmente essencial.
    Ótima iniciativa seu post, espero que ajude muitas pessoas.
    Se quiser manter contato, meu email está nos dados.
    Um beijo e muitas felicidades!

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