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Feb 18 2010

Depressão pós-parto canino

Publicado por em Dia a Dia,Família

Bom, por onde começar? Talvez dizendo que eu tenho um amor imenso por cachorros, até maior do que o amor pelas pessoas, e que desde que saí da casa de minha mãe há 9 anos, eu sinto uma vontade imensa de ter um bichinho novamente. E desde que voltei de Londres há 3 anos que venho tentando ter o bichinho, mas as circunstâncias da vida não ajudavam. Eis que agora no apto novo meus planos era ter um filho e não o cachorro, mas as dívidas me fizeram ter que adiar essa vontade. Só que ao mesmo tempo o mundo ao meu redor resolveu ficar grávido, para fazer ficar mais difícil ainda meu adiamento de sonho. E não mais que de repente resolvi que teria um cachorrinho. Arrumei uma babá que vem todo dia 2 horas por dia para brincar e levar para passear, assim como fiz um compromisso comigo mesma que levarei para passear todo dia pela manhã e noite. Achei até bom que vou ter que me mexer mais. E tava decidido, iríamos comprar no sábado cedo. Rafa estava fazendo a minha vontade apesar de não ter certeza do que queria, me deixando mais insegura ainda! Na sexta a noite resolvi googar sobre cachorros que ficam sozinhos e aí juro que desisti de comprar pois o pessoal pegava pesado nos fóruns sobre o assunto. Mas eu também pensava na quantidade de amor que ia dar para ele, sendo que tem gente que tem cachorro e fica em casa o dia todo mas não quer nem saber do bixinho, deixa jogado no quintal. Por fim eu tinha desistido no sábado de manhã, nem falei nada para o Rafa, até que quando ele chegou voltando de visitar o pai doente (capítulo a parte este) estava completamente arrasado, triste e extremamente cansado de só se preocupar com isso o dia todo nos últimos 6 meses. E aí eu pensei que poderia ajudar trazendo um bixinho que o divertisse, distraísse e desse bastante amor e carinho. Nem falei nada e fomos no canil em Vargem Grande Paulista. Eu já havia pesquisado bastante sobre o canil, estava satisfeita com o resultado, mas chegando lá me deparei com um monte de cachorros de várias raças em cercadinhos diferentes alí meramente usados apenas como fonte de renda, sem ninguém para brincar, passear, etc. Peguei o Mike correndo dalí e só pensava que queria salvar pelo menos um cachorrinho daquela vida “descanina”. Isso foi na hora do almoço. Quando foi de noite Rafa me diz: “Nossa pela primeira vez em muito tempo eu consegui me distrair e não pensar no meu pai o tempo todo!”. Pensei comigo “funcionou”! Ele está cada dia mais apaixonado pelo Mike, hoje me disse que nunca gostou tanto de um cachorrinho antes na vida. Eu também o amo muito, mas estou vivendo uma depressão pós-parto.
De repente me peguei deprimida, chorando por qualquer coisa, me sentindo perdida e desorientada. O Mike se apegou demais a mim, pois tirei férias e estou com ele 24 horas (literalmente pq ele não me deixa dormir!!!), ele vai aonde eu for, fica me seguindo o tempo todo, um grude mesmo. Aí eu comecei a sofrer a dor da separação, fico pensando como será a partir da semana que vem que voltarei a trabalhar, se ele vai ficar bem durante o dia até a babá chegar (ficará duas horas com ele apenas), como vai ser, se ele ficará bem e será feliz. Por exemplo, agora são 1:46 da manhã e ele tá aqui do meu lado chorando e latindo para brincar com ele, o veterinário mandou eu parar de atender os desejos dele de madrugada, que senão ele vai aprender que basta latir para conseguir o que quer! Agora me diz se não é difícil uma coisinha fofa dessa chorando em seu ouvido, pedindo apenas um carinho e atenção? Além desse ponto da dificuldade da separação, tem a preocupação com ele, ele já ficou doentinho duas vezes em apenas uma semana, noite passada nem ele nem eu dormimos, ele espirrando a cada 2 minutos e eu acordando a cada dois minutos. Tudo isso tá me deixando deprê, sei que para alguns que aqui vem vão achar bobeira minha, falta do que fazer. Tô nem aí, tô é querendo colinho daqueles que gostam de mim e entendem pelo menos um pouquinho a minha dor. É algo momentâneo, vai passar, mas até lá deixa eu ficar na fossinha? Acho que além disso tudo tem o cansaço físico de não dormir direito há mais de uma semana, e também de não sair de casa para nada, só ficar cozinhando, lavando louça e limpando xixis e côcos pela casa, faz falta sim trabalhar e sair e ter convivência social, mas quando estou fora só fico pensando nele com o coração na mão, #comofazBial?
Ai ai, difícil né? Você que vem sempre aqui e não comenta, se tem um bixinho e passa um pouco pelo que eu passo, deixa um comentário sobre como você lida com isso, tô precisando de vários ombros amigos para me sentir melhor, me ajuda vai?

PS às 7:02 de hoje: depois de escrever este post marido acordou, me deu o ombro amigo mais gostoso desse mundo, acordou cedo (praticamente não dormiu) e brincou durante uma hora com o Mike para eu descansar, não é um fofo? Meu bebê parece estar melhorando!

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